A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) é uma condição neurológica caracterizada por sensações desagradáveis nas pernas e um impulso irresistível de movê-las — especialmente à noite. Embora seja um distúrbio primariamente neurológico, causas vasculares como a insuficiência venosa crônica podem desencadear ou agravar os sintomas.
O que é a Síndrome das Pernas Inquietas?
A SPI é caracterizada por quatro critérios diagnósticos: (1) necessidade irresistível de mover as pernas, geralmente acompanhada de sensações desconfortáveis; (2) piora em repouso; (3) melhora temporária com o movimento; (4) piora à noite ou no início da madrugada.
As sensações são descritas como formigamento, queimação, coceira interna, rastejamento ou tensão nas pernas — difíceis de definir, mas inconfundíveis para quem as experimenta. A SPI prejudica severamente o sono e a qualidade de vida.
SPI e insuficiência venosa
Estudos demonstram associação significativa entre SPI e insuficiência venosa crônica. Em pacientes com SPI e varizes, o tratamento das varizes melhora os sintomas da SPI em uma parcela significativa dos casos. Por isso, avaliação vascular é recomendada em todos os pacientes com SPI.
O que causa a SPI?
SPI primária (idiopática)
Origem genética — fortemente familiar. Envolve alterações dopaminérgicas no sistema nervoso central. Início geralmente antes dos 45 anos.
Deficiência de ferro
A deficiência de ferro (mesmo sem anemia) é a causa secundária mais comum e tratável de SPI. A ferritina baixa compromete o metabolismo dopaminérgico.
Insuficiência venosa crônica
A hipertensão venosa e a hipóxia tecidual associadas à IVC podem desencadear ou agravar os sintomas da SPI — especialmente em pacientes com varizes.
Gestação
SPI é comum no terceiro trimestre de gestação, associada a deficiência de ferro e alterações hormonais. Geralmente melhora após o parto.
Insuficiência renal
Pacientes em hemodiálise têm alta prevalência de SPI, provavelmente relacionada à acumulação de toxinas e anemia.
Medicamentos
Antidepressivos, antipsicóticos, anti-histamínicos e outros medicamentos podem desencadear ou agravar SPI em pacientes predispostos.
Como tratar a SPI?
O diagnóstico é clínico — baseado nos quatro critérios da International Restless Legs Syndrome Study Group. Exames laboratoriais (ferritina, hemograma, função renal) e avaliação vascular (ecodoppler) são solicitados para identificar causas tratáveis.
O tratamento depende da causa. Correção da deficiência de ferro, tratamento das varizes quando presente e modificações de hábitos são as primeiras medidas. Nos casos primários mais graves, medicamentos específicos (agonistas dopaminérgicos, anticonvulsivantes) são prescritos por neurologista.
Não se automedique: medicamentos utilizados para SPI têm perfil de efeitos colaterais específico e risco de fenômeno de augmentation (piora dos sintomas com o tempo). O tratamento deve ser sempre orientado por médico especialista.
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